O Enduro como objetivo
 
Uma fazenda de mil hectares, produção de 30 a 35 cavalos por ano, seleção genética voltada exclusivamente para o enduro e um leilão como parte do programa de uma prova FEI realizado no próprio Haras. Estes são os fundamentos do Haras Endurance, uma criação que surgiu em 1998 com a importação do reprodutor francês Saad Ibn Syed, classificado pelo site especializado “endurance.pedigree.free.fr” como um dos mais importantes reprodutores de enduro naquele país.

Os cavalos já faziam parte da vida de Léo Steinbruch, quando, em 1990, participou de sua primeira prova de Enduro Eqüestre. A paixão foi imediata e de competidor, passou também a criador de cavalos para o esporte, tornou-se organizador de provas sob a chancela da FEI e é responsável por uma equipe de renome internacional. Foi nas competições que fez de seu sobrinho, André Vidiz, um importante parceiro para as atividades do Haras.

Quando Léo decidiu que iria criar cavalos para o Enduro optou por Árabes e Anglo-Árabes: “Acho que o moderno cavalo de Enduro deve ser mais alto e nisso o Anglo colabora muito. Percebo também que Anglos são mais velozes e briosos, no entanto possuem um temperamento mais difícil e os cascos são ruins se comparados aos do Árabe. Já os Árabes são resistentes por natureza, mais fáceis de trabalhar e interagem muito melhor com o cavaleiro” - afirma Léo. O Brasil estava se iniciando nesse esporte hípico e assim, não havia uma criação destinada exclusivamente a cavalos de Enduro, o mesmo ocorria em outros países, onde salvo exceções como França e Estados Unidos, os cavalos de Enduro eram adquiridos apenas por qualidades fenotípicas, sem se levar em conta seu potencial genético.
 
Em 1998, após conhecer dezenas de garanhões, Léo adquiriu Saad Ibn Syed um jovem tordilho de 7 anos, 1,52m de altura e que possuía um excelente handicap para sua idade: um quinto, um sexto e um quarto lugar em três provas de 130 e 160 km na França. “Saad Ibn Syed era exatamente o garanhão que eu estava procurando. Seu pedigree é espanhol com um toque de egípcio por Hadban Enzahi, que eu já conhecia no Brasil através de *Shokry. Ele é neto paterno de Alhabac e materno de Mazourk, dois garanhões classificados entre os 50 reprodutores que mais contribuíram para o enduro na França” - conta Léo.

No Brasil, Saad começou a cobrir e competir a partir de1999. Foram cinco provas no Brasil com um segundo lugar, dois quartos, dois quintos e dois “best conditions”. Já é comprovado como reprodutor, pois deixou 13 filhos na França que já participaram de provas nacionais francesas, com especial destaque para Geruam de Lux, que se sagrou Campeão Francês em 2004 e Heiran de Lux, Campeão Alemão, categoria Jovem, em 2005. Assim, foi considerado em 2005 um dos três melhores reprodutores em atividade do ano no Enduro francês. No Brasil, em 2006 seus primeiros filhos estrearam provas FEI***.

Em uma criação de cavalos de enduro certamente um pedigree não pode faltar, o do francês Persik , que já produziu dois Campeões e dois Vice-Campeões Mundiais, um Campeão e Dois Vice-Campeões Europeus e quatro Campeões Franceses, além de inúmeros campeões em provas por toda a Europa e Emirados Árabes. Novamente dezenas de haras foram visitados para chegar a *Moubarak Tawfik, um filho de Persik, que traz como avô materno o egípcio Fawzan (Tuhotmos x Fayrouz por Alaa El Din), outro cavalo que faz parte da linhagem de grandes vencedores. Moubarak chegou ainda potro ao Haras Endurance, com 5 anos estreou em provas de velocidade limitada, aos seis passou para as provas de velocidade livre onde foi Vice-Campeão Brasileiro de Cavalos Jovens (120km) e em 2006 foi 6º lugar no Campeonato Brasileiro Senior (160km), sendo selecionado para a equipe brasileira do Mundial de Cavaleiros Jovens 2007.

Em suas pesquisas por pedigrees de cavalos vencedores no mundo, outro cavalo chamou especial atenção pelo número de descendentes competidores em provas de longa distância: o Árabe de linhagem russa Arax. Léo então arrendou e posteriormente adquiriu um grupo de 12 éguas da criadora Adélia Audi, sendo 7 delas, descendentes diretas de Ponomarev*, neto de Arax. A égua Kilina HVP, uma filha de Ponomarev*, foi medalha de prata e Best Condition do Pan Americano Young Riders de 2005, montada por André e também é matriz do Haras Endurance através de transferência de embriões. Outras éguas com performance comprovada no esporte, como GR Mata Hari, OT Cassidys Patsy, Itabara HP, Pyvha ATA, Layana HVP são também matrizes utilizadas pelo haras.

É importante ressaltar que a seleção das matrizes obedece a um rígido controle que engloba seus pedigrees, suas características fenotípicas, temperamento e aptidão materna.

O sistema de manejo adotado pelo Haras Endurance foi especificamente criado para desenvolver todo o potencial dos cavalos no enduro. O privilégio de pastos com grandes extensões e o clima, com poucas variações térmicas durante o ano, permitem que os cavalos sejam criados totalmente a campo. Os potros nascem nos pastos e só vão receber suplemento alimentar aos 3 meses de idade. São desmamados aos 6 meses e separados entre machos e fêmeas com um ano de idade.

As fêmeas são cobertas aos 3 anos e após a primeira parição entram em regime de doma e treinamento para iniciar em competições aos 5 anos de idade. Os machos começam a receber os primeiros cuidados aos 4 anos, e aos 5 estão domados, treinados e prontos para competir.

“Acredito que a criação em liberdade como nós fazemos, não só permite o amadurecimento natural dos animais como desenvolve um organismo muito mais resistente e apto a enfrentar todo o tipo de terreno e clima” - conclui Léo.

Evidente que toda essa produção, cerca de 30 cavalos por ano, supera em muito a necessidade da equipe do Haras Endurance. Desta forma todo ano o Haras Endurance promove na própria fazenda um Leilão que é realizado no mês de Abril junto com uma das mais tradicionais e concorridas provas brasileiras, a prova FEI Haras Endurance Internacional em 80km, 120km e 160km. Nele são vendidos cerca de 15 novos cavalos de 5 a 6 anos, algumas éguas matrizes e cavalos de convidados. Além disso o Haras Endurance promove anualmente outro evento muito característico, o Night Riders em março, 65 km de cavalgada noturna, que abre a temporada de provas no enduro brasileiro.

O enduro para a família Steinbruch é muito mais que um passatempo ou um esporte, é um estilo de vida, uma vida saudável, de sólidos relacionamentos e de profunda paixão pela natureza e as alegrias que ela proporciona.

Livro O ENDURO EQÜESTRE, Cidinha Franzão e Rogério dos Santos. Págs. 166 - 171

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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