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Uma das maiores virtudes de um bom cavaleiro – e adianto, é
difícil de conseguir – é a de nos anteciparmos no pensamento, mas não
nas ações.
Explico dando um exemplo: imagine que você está montado
em um cavalo e quer que ele ande em uma linha absolutamente reta.
Você sai com ele seja na pista ou no campo e planeja o traçado reto que
quer fazer. Se o cavalo sai deste traçado, você o traz de volta para a
linha que planejou. Então, você já sabia o que fazer se ele saísse da
linha planejada. Em compensação, se ele não sair do traçado você não
precisa fazer nada. Até aí tudo bem. |
O difícil é fazer com que sua
antecipação seja somente mental e não mecânica. O fato de você ter
planejado uma ação corretiva não significa que terá que utilizá-la.
Significa que se o seu cavalo errar, você tem a ferramenta imediata
para corrigir.
A dificuldade está em 2 aspectos: jogarmos com uma
hipótese e agirmos usando o “e se ele...” e aí fazermos algo sem
necessidade, e a segunda, não deixamos nossos cavalos cometerem
erros nunca.
O primeiro aspecto leva para o segundo. A cada antecipação de
algo que não aconteceu, estamos privando nosso cavalo de errar,
portanto de saber o que é o certo e o errado, e conseqüentemente de
aprender o certo.
Vejo cavaleiros que não admitem o erro nunca, em
nenhum momento da sessão de treinamento ou montaria. Vejo então,
cavalos tentando cada vez mais adivinhar o que é para fazer, e com
isso, errando ou acertando, mas nunca tendo uma certeza do que se é
para fazer. A correção vem a partir do erro e não a partir da prevenção
de um possível erro.
É verdade também que quanto mais conhecemos
os cavalos que montamos, mais conseguimos fazer uma leitura destes
cavalos e assim conseguiremos uma prevenção do erro, mas isto não
deve ser algo impeditivo ao erro. Devemos nos ocupar com as coisas
positivas que nossos cavalos fazem e não somente nos pré ocuparmos
com o que ainda não aconteceu...
Semana de
18 a 24 de Outubro de 2009.
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